E ali eu estava parada, encostada na pia de uma cozinha apertada. Onde eu não conseguia levantar os olhos, tentei esconder o medo e a vergonha de ser aquele monstro que eu estava me tornando. Onde a ‘evolução’, pode se dizer, que estava quase que por completa.
Chega a ser a parte comica da vida, a mesma história, com personagens e cenários diferentes. O mesmo final, pode se dizer uma ‘Malhação’ da minha vida. Os ensinamentos que eu deveria ter tirado de alguns anos antes, é como se eu estivesse tendo um Déjà vu. As mesmas palavras sendo disparadas contra mim, a mesma sensação de vergonha, arrependimento, aprendiz e filha. Quem diria que um dia meu pai, meu heroí, teria forças e coragem de me perdoar mais uma vez.
E aquela conversa, que para mim durou uma eternidade, onde aquelas minusculas goticulas de água salgada lutavam contra a minha falta de vontade de deixa-las sair. Aquela conversa onde eu adimiti que errei, onde eu quase chorei, onde eu quis ser um avestruz e ter um buraco na minha frente para enfiar a minha cabeça.
Quando as palavras chegam até aqui, quando eu consegui processa-las, quando eu digeria milhares delas, vinha em minha cabeça cada mentira, cada noite em que eu virei me estragando, me matando, e mesmo que sem querer matando o meu heroi, e toda uma familia que está atrás de mim.
Eu jamais me imaginei nesta situação, jamais pensei que seria capaz de me influenciar por aqueles que não querem o meu bem.
Eu sempre fui sincera, talvez não honesta. Sempre fui daquelas que não enxerga, mesmo, a maldade das pessoas. Sempre me influenciei com pessoas más, que queriam me ofuscar. Me iludi, me enganei, entrei em um mundo, aliás submundo aquele lugar jamais seria considerado um mundo, com todas aquelas pessoas porcas, falsas, hipocritas. E com toda aqueles jogos mortais, onde o mais ‘forte’, aquele que aguenta mais coisas, mistura mais substancias, onde quem engana mais, quem mente melhor, seria o ‘capitão do time’, como eles mesmo se pré-julgam.
Depois de ouvir todas as verdades, quando eu tirei aquele véu de mentiras/fracassos/falsas ideologias, quando eu deixei de ser a ‘Jacq, a estranha’, consegui enxergar onde estava, como estava, e para onde eu estava me levando/arrastando/me matando. Levantei minha cabeça, e ainda sim lutando contra aquele mar de água salgada dos meus olhos, abraçei meu heroi, perdi desculpas, limpei a minha vida, tirei feridas superficiais, que hoje não doem, e nem tem valor nenhum. Troquei de vida, como se trocasse de roupa, percebi o quanto eu me enganava e iludia com tantas pessoas, que hoje vejo o quanto a falsidade delas as enganam. Vi que todas elas jamais vão ter algo concreto, até o futuro deles é abstrato, onde linhas não tem conecções, onde os desenhos não tem formas concretas. Onde cada um vê e interpreta de um jeito, do seu jeito. A minha vida pode se dizer que está quase uma Monalisa, não é uma mulher linda de tirar suspiros, mas ninguém tem dinheiro ou direito de compra-la.
E mesmo que eu não tenha um Romeu, um suicida romantico a moda antiga, ou se preferirem um Edward um vampiro rico com seu volvo prata, nem mesmo um principe encantado com um cavalo branco. Mas eu tenho quem me ame, e não é perfeito como em histórias de romances. Ele é (im)perfeito, como todos nós. Mas eu o amo por cada defeito, cada qualidade, por cada coisa que nele exista. Minha familia também não é perfeita, mas não é porque meus pais são seprados, ou eu não tenho dinheiro para comprar a melhor calça, ou qualquer outra coisa assim, que eu me desespero e digo que minha vida é ruim.
Eu tenho tudo na medida certa, um pouco de dinheiro, um tempo com meu pai, outro com a minha mãe, um trabalho que eu nem sei se vou receber, um namorado, duas irmãs, ultimamente poucos amigos, mas todos eles com qualidade, e não falsidade.
E é assim que eu vou indo, eu não sei para onde vou. Mas sei quem eu quero me tornar, e é isso que realmente conta.
Que não agrade a todos, que não seja tão bom assim- eu sei que não é! Incompreensivel, gramatica ruim, idéias ruins, nem ao menos rima. É a minha vida.
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
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